quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tertúlia BDzine nº 185 - Fev.2017


O Tertúlia BDzine é um slimzine editado pela Tertúlia BD de Lisboa-TBDL, associação informal que existe, com convívios mensais, desde 1985.

O zine da TBDL, na maioria dos números publicados - e já vai em mais de centena e meia - cinge-se às quatro páginas em A4 (daí a razão de o classificar como slimzine) que resultam da dobragem ao meio de uma folha A3.

Mas sempre houve excepções, desde que o fanzine teve início em Janeiro de 1992 - há mais de vinte e cinco anos! E este nº185, editado em Fevereiro de 2017, é mais uma edição com muito maior número de páginas, concretamente, dezasseis. 

Outro pormenor que contraria a rotina tem a ver com a autoria da banda desenhada: Álvaro, bem conhecido como autor completo, mas em que sempre surge mais evidente a sua componente de desenhador, é desta vez o argumentista, sendo Filipe Duarte o autor das imagens sequenciais.

Nesta curta bd - aliás, não-muito-curta, o episódio  
A Mulher-Cão abrange catorze pranchas - sobressai do estranho enredo a figura da personagem central, uma mulher agressiva, sempre pronta a morder e a violar, o que faz ao arrombador de parquímetros e ao frouxo agente da autoridade.

Uma história em que se invertem os dados habituais das ocorrências que provocam manchetes sensacionalistas de jornais, transformada em BD com destreza e eficácia.

Ficha técnica
Tertúlia BDzine - nº185 - Fev. 2017
Miolo: 16 páginas A4 a preto e branco
Tiragem: 75 exemplares
Distribuição gratuita na Tertúlia BD de Lisboa
Colaboração de Filipe Duarte (desenho) e Álvaro (argumento),
autores da bd "A Mulher-Cão"
Edição da Tertúlia BD de Lisboa
Editor: Álvaro  

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Jayme Cortez num prozine português







Jayme Cortez (Jayme Cortez Martins) nasceu português, em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, mas quando faleceu, a 4 de Julho de 1987, em São Paulo, já era brasileiro, porque, além de ter passado a viver no Brasil a partir de 1947, adoptara em 1957 a nacionalidade do país que o acolhera e onde era admirado.

Inicialmente influenciado pelo mestre (1) Eduardo Teixeira Coelho, Jayme Cortez muito cedo foi criando o seu próprio estilo, o que se tornou bem evidente na sua produção de banda desenhada brasileira, iniciada com a adaptação às histórias em quadrinhos, em tiras diárias, da obra "O Guarani", da obra clássica do autor brasileiro José de Alencar, para o jornal Diário da Noite.

A última banda desenhada de Jayme Cortez publicada em Portugal foi a que teve por título "Os Espíritos Assassinos", impressa na revista infanto-juvenil O Mosquito, entre Janeiro e Abril de 1947. Foi esse conto curto gráfico (27 pranchas), imaginado e desenhado por Cortez que Jorge Magalhães escolheu para o prozine (2) Cadernos de Banda Desenhada, editado há trinta anos.

A nota "A obra-prima de Jayme Cortez" incluída na capa, refere-se naturalmente à produção portuguesa do autor, visto que, na sua bibliografia brasileira há obras de BD de elevadíssimo nível ficcional e estilístico, designadamente "O Retrato do Mal", "Sérgio do Amazonas" e "Zodíaco".

(1) Sou contra o uso (e abuso)  indiscriminado do título de Mestre que por vezes é usado em relação a vários autores portugueses de BD. Considero que E.T.Coelho é o único a assim poder ser classificado, por ter tido vários seguidores estilísticos, ou discípulos, caso singular da BD em Portugal.

(2) Já o escrevi várias vezes: um prozine é um zine editado por um pro dessa área. Consequentemente, é o caso de um zine de banda desenhada editado por um profissional de BD, e tanto Jorge Magalhães como Catherine Labey, responsáveis pela edição do zine, sempre estiveram ligados profissionamente à BD.

Ficha técnica
Cadernos de Banda Desenhada
Director: A.A. de Castro (*)
Editor e proprietário: 
Catherine Labey
Redacção e Administração:
R. Joaquim Ereira, 2693
Torre, 2750 Cascais (**)
Tiragem: 4000 exemplares
Preço: 125$00

(*) Pseudónimo de Jorge Magalhães
(**) Residência do director e da editora e proprietária