quinta-feira, 25 de maio de 2017

666 Hardware











É sabido que o número 666 refere-se à besta de sete cabeças e dez chifres, segundo o texto bíblico. Quiçá seduzido por tão enigmática imagem, Rudolfo deu o título 666 Hardware ao fanzine que editou em Agosto de 2011.

Talvez por pretender dar ao seu tratamento do tema uma maior difusão, Rudolfo optou pela língua inglesa para escrever as legendas dos balões e as didascálias, as quais ajudam o leitor/visionador a acompanhar a tenebrosa trama em que se envolve o próprio Rudolfo, autor e personagem, como sempre, nas suas bandas desenhadas. 

Na última página deste zine, há uma pequena nota biográfica, presumo que seja autobiográfica, que diz o seguinte:

Rudolfo is a Portuguese Artist. Born in 1991. He really likes comics. Been publishing his own comics since 2007. Edits and publishes the Trimonthly Anthology "Lodaçal Comix". He's also a videogame nerd.

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RUDOLFO

Autobiobibliografia na 3º pessoa


Rudolfo é um mestre de todos os ofícios e mais algum. Faz bonecos desde sempre, mas foi em 2007, quando tinha 16 anos, que começou a editar os seus fanzines de BD que entretanto se viram misturados com toda a sua raiva emocional através dos seus discos carregados de Hate Beat e concertos cheios de espasmos, caos, fritaria e bastante rabetice... Do seu pequeno percurso hiperactivo contam-se uma série de fanzines próprios, participação em várias antologias de BD da Chili Com Carne ou oriundas de outros países/continentes, ilustrações para aqui e para acolá (fez imenso lixo para a Vice) e também alguns discos em formato CD-R/MP3. No entanto, os seus feitos mais importantes podem ser reduzidos a uma lista: a criação e morte da antologia de BD trimestral e internacional Lodaçal Comix, entre 2011 e 2013 através do selo Ruru Comix; ter sido a primeira e talvez a única pessoa a ser expulsa do Milhões de Festa; ter criado o bootleg mais másculo de sempre daquele rato amarelo que dá choques (Musclechoo); e, mais recentemente, do seu trabalho contínuo a ilustrar Negative Dad, uma BD escrita pelo Nathan Williams (Wavves) e o seu amigo, Matt Barajas (Heavy Hawaii). Ah, também tem andado a fazer bimestralmente a sua nova revista de bd, Molly!

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Outra autobiobibliografia na 3ª pessoa

Rudolfo (*) é um mestre de todos os ofícios e mais algum. Faz bonecos desde sempre, mas foi em 2007, quando tinha 16 anos, que começou a editar os seus fanzines de banda-desenhada que entretanto se viram misturados com toda a sua raiva emocional através dos seus discos carregados de Hate Beat e concertos cheios de espasmos, caos, fritaria e bastante rabetice... 
No entanto, os seus feitos mais importantes podem ser reduzidos a uma lista: a criação LODAÇAL COMIX, que foi editada entre 2011-2013 através do selo Ruru Comix; e recentemente, do seu trabalho contínuo a ilustrar NEGATIVE DAD, uma BD escrita pelo Nathan Williams (WAVVES) e o seu amigo, Matt Barajas (HEAVY HAWAII). Ah, também tem andado a fazer bimestralmente a sua nova revista de BD, MOLLY!


(*) Nota do blogger: Diogo Jesus 
 

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Os visitantes deste blogue interessados em ver posts anteriores dedicados ao tema Fanzines portugueses editados em inglês poderão fazê-lo clicando nesse item visível no rodapé

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Edição alternativa comercial - Carne Viva, pornografia em BD portuguesa

Ilustração de Horácio para a capa do número inicial da colecção Carne Viva

Horácio é um autor português que privilegia a banda desenhada de cariz pornográfico, puro e duro. Nada de contemplações: se o que ele quer contar inclui cenas de sexo explícito- e já deu provas anteriores de ser isso o que pretende -, é o que frontalmente mostra, num estilo de desenho invulgarmente correcto e... sugestivo.

A sua coragem, enquanto autor, corre em paralelo com a de responsável editorial, e este álbum vem demonstrar, mais uma vez, que Horácio Gomes tem um papel singular na banda desenhada portuguesa.

As provas estão nas bandas desenhadas que este volume comporta:
1. Gabinete do Dr. Dildo
2. VHS

Além do desafiador "Teste-se! Saiba se o sexo ainda o acende, e como!", com uma curiosa (no mínimo) chave de resultados, e a competente tabela de soluções, impagável em absoluto.

A acompanhar o volume, está uma separata de três páginas de cujo texto, também de sua autoria, respigo um curto excerto:

"(...) É um dado comum que o cada vez maior interesse social para com os mais diversos aspectos da sexualidade humana tem contribuído para que a sociedade esteja cada vez mais atenta à pornografia - o que tem despertado não só muita controvérsia, mas também desenvolvido muita fascinação (...)

(...) Como tal, "Carne Viva" é uma obra que surge contextualizada no momento certo, enquanto lidando com a sexualidade e a pornografia, apesar dos riscos que isso possa comportar para mim, enquanto seu autor. (...)

Infelizmente, a edição ficou-se por este número inicial

Carne Viva
nº1 - Abril 2006
Capa em quadricromia, miolo com 26 páginas a preto e branco
Tiragem: 1000 exemplares
Preço: 6€
Editor: Nova Comix
Travessa Srª da Glória, 22 - 3º - esqº
1170-357 Lisboa

E-mail: nova.comix@sapo.pt
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(*) Porquê classificar como edição alternativa comercial e não como fanzine? Qual a diferença?

Um fanzine é uma publicação alternativa, amadora, um magazine feito sem intuitos lucrativos por um faneditor (editor amador), ou por um grupo de entusiastas (editores amadores), ou até por uma associação sem fins lucrativos.

Uma publicação alternativa comercial tanto pode ser uma revista como um álbum, editadas por uma pequena editora normalmente considerada "editora independente", por se dedicar a um tipo de publicações de temas geralmente não tratados pelas grandes editoras, mas igualmente com fins lucrativos, pormenor que marca a ténue fronteira que as separa dos faneditores e seus fanzines.
No caso da edição de BD, prevalece a banda desenhada de cariz underground, dita alternativa.
 
(*) Nota: Trata-se de opinião própria, não extraída de qualquer obra publicada.Por conseguinte, estou a estabelecer doutrina inédita sobre o assunto.

Geraldes Lino

segunda-feira, 8 de maio de 2017

FANDCLASSICS




Terry e os Piratas (Terry and the Pirates), de Milton Caniff, é uma das obras primas da Banda Desenhada, e José Pires, autor de BD (*) apaixonou-se pela obra, decidindo publicá-la na íntegra, no que se refere às tiras, no seu fanzine FandClassics - O fanzine do fanático dos grandes clássicos da BD.

Desde Novembro de 2016 que Pires está imerso na tremenda tarefa de publicar essa versão completa da dita obra Terry e os Piratas, que foi editada na imprensa dos Estados Unidos da América em tiras diárias, entre 1934 e 1946
E visto que cada número do FandClassics comporta 120 páginas com tiras da obra, tal implicará a edição de dez volumes do seu zine, num total de 1200 páginas. Será decerto uma edição única em todo o mundo.

Com alguma aperiodicidade, mas em consecutiva e persistente tarefa editorial, o veterano todavia activo faneditor lançou até agora quatro volumes (o que significa 480 páginas): após o primeiro, em Novembro de 2016, seguiu-se o 2º episódio, já em 2017, em Janeiro, depois o 3º em Fevereiro e o 4º no passado mês de Abril.

Ao ritmo a que tem estado a executar a magnífica tarefa, talvez José Pires consiga terminá-la até ao fim do corrente ano de 2017. O FandClassics apresenta-se em formato italiano, ou seja, oblongo - vulgo "ao baixo" e note-se que a execução de cada exemplar é assaz trabalhosa, porque, devido ao elevado número de páginas, 122 (120 preenchidas por BD), isso implica que tenha lombada, pormenor manufacturado com muita habilidade.
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(*) Para quem não conheça José Pires: este autor tem longa carreira, iniciada no Cavaleiro Andante, continuada no Mundo de Aventuras (5ªsérie), tendo chegado à revista Tintin belga, onde produziu extensa colaboração, e após o desaparecimento desta, continuou a trabalhar para a sucessora Hello Bédé

também bandas desenhadas suas, curtas, nos fanzines Eros e Almada BD Fanzine, dando a ideia de que estas suas experiências o apaixonaram pelo fenómeno fanzinístico, tanto assim que o seu nome aparece ligado à edição de fanzines a partir de 1989 (Fandaventuras), 1995 (Fandwestern), 1998 (A Máquina do Tempo).

E embora tenha entretanto sido editado em álbuns de BD e na revista Jornal do Exército, José Pires tem continuado até hoje ligado ao fanzinato, com destaque, a partir de 2016, para este Fandclassics.
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Dou em seguida a palavra a José Pires. Melhor do que ninguém, ele poderá explicar a tarefa homérica a que meteu ombros. Eis o texto que me enviou, a que eu faço copy paste com a devida vénia:

"A série Terry e os Piratas é considerada um dos clássicos dos clássicos, ombreando com o Principe Valente, o Flash Gordon, o Rip Kirby, e por aí fora. Mas a história das páginas dominicais complicou tudo, estou convencido, e deve estar na base do Milton Caniff ter abandonado a série em 1946, depois de 12 anos consecutivos de publicação. E, de facto, a série continuou, depois, pela mão de George Wunder, mas este já não entrou no esquema das páginas diminicais, que acabaram por tornar a série apenas parcialmente conhecida, como em Portugal, onde muito poucos a conhecem.
Este berbicacho (páginas dominicais) impedia outros jornais de outras latitudes (como o Público, por exemplo) de a publicarem, pois ao depararem com uma coisa que era de maior formato, com quatro tiras, duas a duas, a quatro cores, causava transtornos de páginação e ocupava muito do espaço destinado à publicidade (aquilo que torna os jornais a preço mais acessível). E as editoras que se aventuravam a publicar a série transformavam essas páginas dominicais em tiras a preto e branco (mais curtas e mais altas), mas a gigantesca dimensão da série, 25 volumes, não permitia às editoras tempo necessário a uma mais competente retirada dessas cores, e como os gráficos não dispunhas de meios informáticos na altura, o trabalho era muito demorado, deficiente e até muito tosco, mesmo. Acresce que nessa mesmas páginas dominicais, logo na primeira vinheta, apresentavam um enorme logótipo da série, que na publicação semanal até se compreendia, mas numa edição em álbum se transformava num verdadeiro pesadelo, aparecendo sistematicamente, de oito em oito tiras, quebrando a uniformidade que se exige a uma publicação em álbum.
Ora esta minha ambiciosa edição consegue tornear o problema à custa de uma tarefa de meter medo ao susto. Repara: a série durou 12 anos. Ora como cada ano tem 52 semanas, teremos 52X12=624 retiradas de logótipos substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço. Além disso há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral, foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que foram substituídas.
E eram estes detalhes que eu gostaria de ver realçados nos diferentes blogs que falam dos meus fanzines e que até agora ‹ por incúria minha, decerto, o não fizeram. Se tu o fizesses serias o primeiro a dar notícia destes importantes detalhes.
Aí tens as minhas razões."

                                                           [José Pires]
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Nº4, Abril 2017 - Amostra de algumas das tiras de Terry e os Piratas

                
 
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Ficha técnica
FandClassics - 4º episódio
Editor: Não indicado [José Pires] 
Data da edição: Não indicada [Abril 2017]
Tiragem: Não indicada [12 exemplares]
(Material inédito em Portugal)
Capa e contracapa a cores
Miolo: 120 páginas a preto e branco 
Dimensões: 30x21cm
Volume com lombada 
Preço: 15€ (preço para os sócios do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD)
Local da edição: Lisboa