sábado, 22 de setembro de 2018

Livros sobre Fanzines - Os meus (IV) - Franquin e os fanzines



Este livro não é um estudo sobre os fanzines, mas apenas a descrição da experiência do autor de BD Franquin com este tipo de magazines amadores. Naturalmente, a obra inclui imagens dos zines em que participou com ilustrações, especialmente em capas, e a reprodução das numerosas entrevistas que os respectivos fanzinistas lhe fizeram.
"Franquin et les fanzines - Entretiens avec la presse souterraine 1971-1998" é portanto um livro dedicado à profunda ligação entre o famoso autor belga André Franquin e os fanzines, com os quais sempre colaborou benevolamente, isto é, "pro bono".
É logo em 1972 que ele desenha para o Spirou o título da rubrica "Et les fanzines" - criada por Thierry Martens, redactor-chefe -, desenhando nas capas destas publicações amadoras as suas personagens, reforçando a conivência dele com o "fandom".
Aliás, para além das entrevistas que lhe fez Yvan Delport para o Jornal de Spirou nos anos 1950 e 1960, é nos zines onde se encontra a maior parte das conversas com Franquin, mas também é um facto que ele espalhou a sua colaboração por numerosos fanzines, nomeadamente Schtroumpfanzine, Le Collectionneur de Bandes Dessinées, Bizu, 1815 fanzine, Copyright, Krukuk, Bédésup.    










Jacques Glénat, que se tornaria um dos grandes editores europeus de BD, foi o primeiro fanzinista da segunda geração (herdeiro de Francis Lacassin, do seu "Clube des Bandes Dessinées" e respectivo zine Giff Wiff *, primeiro europeu datado de 1962). Em 1969, com a idade de dezassete anos, ele publicou o número um do seu Schtroumpfanzine, simplesmente fotocopiado. Foi Glénat que criou o conceito de "faneditor", e foi o primeiro editor profissional saído do "fandom": em 1974 ele criou a sua editora, e nesse mesmo ano Angoulême inaugura o seu festival, em que Franquin é galardoado com o Grande Prémio e Jacques Glénat é classificado como "Melhor Editor de BD".

*Tendo sido Giff Wiff o primeiro fanzine europeu, poderá estranhar-se a inexistência neste livro de uma imagem de capa dele. A explicação terá a ver com o conceito seguido pela editora do livro, a Dupuis, em que apenas são reproduzidas capas de fanzines com ilustrações da autoria de Franquin, ou de zines que contenham entrevistas com ele.
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domingo, 16 de setembro de 2018

Fanzine Reversível com dois títulos


Eis o exemplo de um fanzine reversível, com duas capas e os respectivos conteúdos em posições opostas. Mas, enquanto que outros têm apenas um título, em ambas as capas - só mudam as imagens - este é absolutamente invulgar: de cada lado apresenta um título diferente: Novos Panoramas do Globo e Baladas de Hollywood. Ou seja, quase parece estarmos perante dois fanzines num só corpo, separados por uma prancha dupla com ilustração independente do conteúdo.
Aliás, é devido a essa prancha dupla que dou início à análise do zine pelo título que termina no mesmo sentido da dita prancha dupla, tipo fronteira.
Novos Panoramas do Globo é, pois, o que se pode considerar o início do fanzine.
Vejamos excertos das suas várias bandas desenhadas: 


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Por conseguinte, este mapa funciona como se fosse uma fronteira entre os dois títulos. Invertendo o objecto gráfico, temos o outro título, Baladas de Hollywood.


Não é fácil descortinar o motivo desta separação, visto que há semelhança entre o estilo das bandas desenhadas que integram ambos os títulos. Trata-se, depreende-se, de uma originalidade, característica que tem a ver com este tipo de publicações não profissionais, alternativas, que se inserem no que se classifica de publicações underground.
Reproduzem-se excertos de algumas das bandas desenhadas que compõem o seu conteúdo. 



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O estilo deste zine (ou destes zines?) caracteriza-se por um grafismo de elevado nível gráfico e de sólido conceito experimental. 
Invulgar no universo fanzinístico português, também na identificação dos colaboradores campeia a originalidade,
Na parte do Novos Panoramas do Globo apresenta na banda desenhada "Feijoada Completa" os seguintes autores: Jalomo Lidjombo: texto, desenho e finalização; Jomoel Beana: texto e desenho; Milo Modjamboli: conselhos técnicos.
Na banda desenhada "África Minha" os autores apresentam-se: Jomoel Beana: Texto e desenhos, Milo Modjamboli: texto, desenhos e finalização, Jalomo Lidjobo: pesquisa histórica.
A banda desenhada "Alá Fresquinho" não indica qualquer nome, ou pseudónimo, como autor.
"Manda-de-Leve-Os-Sete-Anões" (o título está em rodapé) tem por autores Beana: texto e desenhos, Modjamboli: texto, desenhos e finalização.

Invertendo o objecto, passa-se para o Baladas de Hollywood, que indica os seguintes títulos de bandas desenhadas e respectivos autores:
"Richie Blues - O Famoso Actor de "Oficial e Cavalheiro" teve por autores: Beana Lead Citar (?), Modjambolas (também assina Modjamboli): Drums, Jamolo (ou Jalomo): apoio e amizade.
"Pedrados" by JALOMO & JOMOEL: telecaster, MILO: stratocaster;
J.B.Q.B.!! História por: Mijo Mostrabólico Jastronço Olijonson Menstroel Geana.
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O fanzine inclui uma separata de 12 páginas, A5, com um jogo. Impressão em papel de cor (tenho conhecimento de um exemplar em papel azul e outro em vermelho)



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Ficha técnica
Fanzine editado em formato reversível, com dois títulos:
Lado 1: Novos Panoramas do Globo
Lado 2: Baladas de Hollywood
Formato A4
Nº de páginas: 44 (22 cada um dos títulos)
Capas em cartolina
Impressão em offset a preto e branco
Inclui uma separata com um jogo, 12 páginas em formato A5, em papel de cor (reproduzo o que tenho, em papel azul, mas existe pelo menos outro em papel vermelho)
Editores: não indicados [Daniel Seabra Lopes, João Chambel, Diogo Lopes]
Não tem número
Nº único
Local da edição: [Lisboa]
Data da edição: [Janeiro de1992]