Quarta-feira, 25 de Abril de 2001

folha volante


folha volante

Iniciado em Janeiro de 1998, este fanzine com características apenas informativas (daí a sua classificação como "inforzine"), teve o seu número inicial dedicado em exclusivo a um balanço fanzinístico da produção portuguesa em 1997. Era o tema que o seu editor lhe tinha destinado. Todavia, após um longo interregno, o nº2, apenas editado em Junho de 2001, alterava completamente essa intenção, dedicando o exemplar, na totalidade, a recortes de imprensa.

Quanto ao nº8 que aqui se apresenta, reproduz um texto dedicado ao mundo dos fanzines, da autoria de João Miguel Tavares.



Devido ao facto de o conteúdo deste "inforzine" incluir, por vezes, notícias sobre concursos, bolsas literárias, exposições em curso, salões e festivais BD nacionais e estrangeiros, novas edições, etc.-, e por esse facto poder interessar a alguns bedéfilos, todos os números do "folha volante" irão ser reproduzidos na íntegra neste site.

Geraldes Lino

Osso da Pilinha #1


Osso da Pilinha #1

Tal como diz na picha (sic) técnica este fanzine é datado de Fev. 01. Joana Figueiredo e Marcos Farrajota são os editores e simultaneamente os autores das bandas desenhadas que compõem o miolo. Ambas as bedês são mais interessantes em relação ao que contam do que ao apuro gráfico. Todavia o traço de ambos os autores acaba por ser funcional e ilustra com eficiência as recordações e vivências respectivas, e até, no que respeita às histórias contadas pela Joana, uma notável capacidade inventiva onde a imaginação acaba por colorir algumas situações banais.

No seu conjunto este fanzine vê-se com agrado, a sua frescura provoca a curiosidade por próximas edições.

Geraldes Lino

Tertúlia BDzine nº42


Tertúlia BDzine nº42
Abril 2001

Este fanzine está desde o início do ano 2000 a publicar bandas desenhadas curtas, com um máximo de quatro pranchas, que têm a ver com o tema «Super-heróis no ano 3000». No mais recente número editado teve como protagonista o super-herói mais chato do universo, o XATOMAN, naquele que já é o terceiro episódio da série criada por Álvaro.

Cuidado com tal personagem! Onde quer que chegue, malgrado as suas super-boas intenções, acaba sempre por criar as maiores confusões e fazer desatinar os mais pacíficos intervenientes.

Figura criada num estilo gráfico descontraído, isso não impede que o seu autor demonstre um virtuosismo indiscutível no género caricatural. Quanto aos argumentos, igualmente da autoria de Álvaro, são desopilantes e loucos qb.

Os super-heróis americanos que se cuidem com este seu par nascido e criado no cu do mundo.

Geraldes Lino

Classe Média


Classe Média
(Fanzine Classe Média)
nº2
Novembro 94

Logo pelo jogo malandro da sobreposição das imagens, com recurso a uma estratégica folha de acetato se percebe o género do fanzine. Absinto (curioso pseudónimo), fez furor com apenas dois números editados. Para mais, o conteúdo é praticamente todo do editor/autor (exceptuando curta colaboração de Pedro Brito). Vejam-se os títulos de algumas das bedês assinadas por Absinto: "Ratos de Laboratório com Eugénio Cucafudida (sic)", "História de Merda", "Lagartichamento", "Bixânus". O avacalhamento e originalidade pode começar logo pelos títulos, como se vê. E acabar na última página, onde se apresentavam capas de alguns fanzines editados à época, sob a frase: FANZINES: uma pequena minoria mas que faz um barulho do CARALHO (exactamente com estes destaques, ora bem).

Absinto (sei o nome real mas não digo), um jovem autor que mudou para outras vidas. e que faz muita falta à banda desenhada alternativa, logo, aos fanzines.

Marcos Farrajota colaborou neste segundo número com um texto crítico intitulado "Tretas". Dizia ele: "Daqui a uns dias? meses? sairá no Comtrastes nº2 um texto meu, em que digo mal (para variar) dos fanzines. Dos poucos que não digo mal, foi este aqui que você, inteligente leitor, está a ler. Este fanzine sim, faz um barulho do caralho, e não todos os outros que o Absinto decidiu homenagear na contra-K.

Nota: Os ditos cujos com capas reproduzidas na contra-K eram, entre outros: Banda (do Rui Brito, Jorge Deodato e um ou outro cinzento que nunca ninguém conheceu)), GASP (do Diniz Conefrey), Controlo Remoto (do José carlos Fernandes),, Art Nove (do Miguel Jorge), , Almada BD fanzine (do Grupo Bedéfilo Sobredense, liderado por Luiz Beira), , O Uivo da Selva (do Nuno Nisa), , Azul BD Três (do Rui Brito e Jorge Deodato e talvez algum cinzento), Dossier Top Secret (do Vítor Borges), Mesinha de Cabeceira (do próprio autor da crítica, ah ganda Marcos!), Boletim CPBD (desta vez dirigido pelo João Fazenda), Shock (do Estrompa) e outros.

Geraldes Lino

Banda


Banda
(Fanzine Banda)
nº duplo 11/12
Abril 1990

Participaram neste número, entre outros: Agonia Sampaio, Arthur Garcia (um jovem brasileiro que viveu durante algum tempo em Portugal e por cá deixou rasto de qualidade), Diniz Conefrey, Fernando Martins,Jorge Mateus, Rui Lacas, Nuno Saraiva e Pedro Morais, na componente banda-desenhística. No que se refere aos textos, Rui Brito assina os principais: uma extensa entrevista com Nuno Saraiva, e um excelente estudo sobre fanzines.

Da entrevista com Nuno Saraiva ressalta, para além de muita informação sobre o então novel autor, imagens de séries em que ele trabalhava na altura: Ted Sponja, e Zé Inocêncio.

No que concerne ao estudo sobre fanzines. Rui Brito faz uma boa análise sobre o tema, de que se podem destacar algumas ideias: "Apesar de todas as contrariedades, os fanzines teimam em existir". "Fanzines, o equilíbrio instável" "O fanzine tem, decididamente, uma importante função na promoção da banda desenhada e de novos desenhadores".

Geraldes Lino

Editorial

Editorial

Como faneditor, são meus os títulos Eros, Tertúlia BDzine, Autobiografias Ilustradas, Ad Hoc, Preciosidades da BD, Folha Volante e Improvisos Sobre a Toalha da Mesa; como coleccionador, possuo provavelmente a maior colecção de fanzines portugueses de banda desenhada; mas, nos tempos que correm - em que a internet já se impõe como meio privilegiado de divulgação cultural e artístico -, começava a sentir que tinha ainda uma lacuna: faltava-me criar um site fanzinístico. Aqui está ele, onde, justificavelmente, irei dar prioridade aos fanzines de BD, mas não ignorarei os que se dediquem ao cartoon e à ilustração, assim como referirei os eventos ligados a estes temas.

O primeiro fanzine de que há memória em Portugal, o Árgon, data de Janeiro de 1972. Era, obviamente, em papel. Quase trinta anos depois, há já quem tenha feito o seu fanzine online; quanto a sites dedicados em exclusivo a abordar o universo fanzinístico, julgo ser este o primeiro (sem desprimor para a existência de algumas rubricas, inseridas em sites genéricos).

Geraldes Lino

Lisboa, Abril de 2001