quarta-feira, 6 de julho de 2016

Feira Morta - 9 Julho 2016




De novo renasce a Feira Morta, um evento da área alternativa em que pontificam as pequenas (mas corajosas) editoras independentes, onde os fanzines têm espaço privilegiado.

No local onde se vai realizar - a Bedeteca de Lisboa - já teve, em anos anteriores, entre 2005 e 2011, várias edições, sob o nome de Feira Laica, e mais tarde surgiu o evento herdeiro do conceito que se chamou Feira Morta.

Volta agora, no dia 9 de Julho, pelas 14h00, ao jardim da Bedeteca de Lisboa, no bairro dos Olivais, com um programa atraente que a organização descreve da seguinte forma:  

Feira Morta é um evento itinerante dedicado à edição de autor e a práticas DIY de edição. É um espaço aberto onde se partilha, discute e pensa sobre ilustração, artes plásticas e gráficas, banda-desenhada, desenho e música, promovendo a divulgação da cultura independente actual através do contacto directo e informal entre público e criadores.
Editores e artistas independentes de várias gerações apresentam novidades, raridades e projectos esporádicos. Para além de zines, revistas, comics, livros, prints, serigrafias, cassetes, discos e vinil abarca ainda uma série de actividades diversas, sejam: exposições, video-art, workshops, performance ou concertos, deixando ainda espaço para apresentar novos títulos e conversar sobre este/s mundo/s.

A Feira Morta "morre" de novo às 20h00
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Os interessados em ver posts anteriores relacionados à "Feira Morta" e afins, poderão fazê-lo clicando no link indicado no rodapé 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Stabat Mater



Duas imagens da capa, a que fica visível (em cima) e a montagem que se vê quando se abre. A capa, serigrafada a uma cor, tem uma abertura oval que serve de moldura à ilustração subjacente na folha de rosto, também serigrafada.



Stabat Mater é o título que aparece na capa de uma publicação que se pode classificar de fanzine, o qual comporta duas bandas desenhadas, ambas concebidas ficcionalmente e desenhadas por Patrícia Guimarães, sendo que a primeira é a mais extensa e sem palavras.

Exceptuando a capa, todo o conteúdo é a preto-e-branco, reforçando o enredo opressivo da novela gráfica Stabat Mater, localizada num ambiente rural onde os intervenientes se dedicam em exclusivo à criação de porcos.

A iluminar fugazmente a atmosfera deprimente, apenas o cruzamento de olhares entre dois jovens, o que será suficiente para deflagrar uma cena trágica.

A obra, ilustrada sequencialmente, tem grande força dramática, dando a conhecer o talento singular de Patrícia Guimarães.
Que volta a manifestar-se na curta que completa o volume, "Amor de Mãe", em apenas duas pranchas, mas suficientes para plasmarem um episódio intenso e realista.  


Ficha técnica
Título: Stabat Mater
Formato: 19x26cm
24 páginas
Editautora: Patrícia Guimarães
Data da edição: Novembro de 2015
Local: Lisboa

patriciaguimaraes.weebly.com
fanzinesemartelos.blogspot.pt 

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PATRÍCIA GUIMARÃES

Autobiobibliografia

Patrícia Guimarães nasceu em Lisboa, no ano de 1985, onde reside e trabalha. Licenciada em Arte e Multimédia - Animação, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) em 2011. Frequentou o Curso Laboratório de Ilustração e Banda Desenhada, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), em 2014.   
Em 2014 e 2015 integrou a equipa de traçagem  na produtora MODOImago, para a produção do filme de animação VÍGIL e participou no desenvolvimento de outros projectos de animação.
Tem trabalhos publicados em fanzines como Nicotina, Preto no Branco, Your Mouth Is A Guillotine, O Princípio e Stabat Mater (2015) 

Actualmente desenvolve projectos de Banda Desenhada, Ilustração e Animação 2D. Participa activamente no projecto artístico SOU ESTA CASA.
 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Asas Para Ler os fanzines


No ISEC - Instituto Superior de Educação e Ciências, em Lisboa, vai decorrer, nos dias 1 e 2 de Julho de 2016, um evento intitulado Encontro Nacional de Literatura Infantil e Juvenil, dedicado ao tema Asas Para Ler.

Haverá comunicações várias, entre as quais uma intitulada Fanzines Esses Desconhecidos - título habitual usado pelo blogger autor destas linhas, sempre interessado em dar a conhecer este género de publicações amadoras, ainda e sempre mal conhecido, quando não completamente desconhecido do chamado grande público.

O programa é o seguinte: 

ASAS PARA LER
Encontro Nacional de Literatura Infantil e Juvenil

PROGRAMA
1.º DIA – sexta-feira, 1 de julho de 2016
9h.30m. –
Apresentação
Presidente do ISEC e Comissão Organizadora
9h.50m. –
Animação de mimos
Ler é melhor que chover
Alunos de Animação Sociocultural da Escola Profissional Gustave Eiffel (Queluz)
10h.00m. –
Painel de Abertura
Multiculturalismo
Luísa Ducla Soares
Textos para voar num ‘céu de água-sol-vento-luz concreto e irreal’
Violante F. Magalhães
11h.00m. – Intervalo
11h.15m. –
PROMOÇÃO E ANIMAÇÃO DA LEITURA
Promoção do livro e da leitura: divertida forma de vida
Rute Teixeira
Os hábitos de leitura dos estudantes do ensino básico:
Contributos para a promoção da leitura
José Carlos da Silva Pereira
O livro infantil como caminho para o conhecimento: Contos com ciência
Mafalda Marques

13h.00m. – Intervalo para almoço

14h.30m. –
LITERATURA E MULTICULTURALIDADE
O Ensino do Holocausto através das obras “A mala de Hana” de Karen Levine e “Queria voar como uma borboleta” de Jana Gofrit
António José Martins
A tradição já não é o que era: As representações de género na literatura para a infância
Encarnação Silva
Meninos Especiais: Tornar-nos próximos
Luísa Beltrão e Marta Leite
16h.15m. – Intervalo
16h.30m. –
ILUSTRAÇÃO NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
Fanzines: esses desconhecidos – Edições alternativas e independentes
Geraldes Lino


Na arte a mão e as diferentes formas de visão da ilustração infantil
Joanna Latka
Motivações e escolhas na arte de fazer livros. Conversando com...
Danuta Wojciechowska 

2.º DIA – sábado, 2 de julho de 2016
9h.30m. –
LITERATURA E MULTICULTURALIDADE
Semear para colher bons leitores: Estratégias de promoção e animação da leitura
Tatiana Antunes
Conversando com...
Manuela Castro Neves
10h.45m. – Intervalo
11h.00m. –
PROMOÇÃO E ANIMAÇÃO DA LEITURA
Criar, tecer e editar na Pé Coxinho
Sara Guerra e Marta Inês
Do egoísmo ao altruísmo: Apresentação do livro O Burro
António Simão
12h.45m. – Intervalo para almoço
14h.30m. –
PROMOÇÃO E ANIMAÇÃO DA LEITURA
Workshop de animação da hora do conto
Bruno Batista
15h.30m.
Encerramento do Encontro
Alunos de Animação Sociocultural da Escola Profissional Gustave Eiffel
Diretor da Escola de Educação e Comissão Organizadora
Durante os dois dias do encontro:
Exposição de trabalhos dos alunos de Psicologia do Desenvolvimento II (1.º ano Lic. Educação Básica)
Feira do livro – Editora Prodidáctico

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Cleópatra

 
Um fanzine totalmente dedicado ao Cinema, através de filmes transformados em bandas desenhadas, como é o que acontece no "Cleópatra", é bastante invulgar - confesso que neste momento não me lembro de nenhum outro.
Mas nos fanzines tudo é possível, tudo é permitido - é uma das grandes qualidades deste tipo de magazines amadores.

E Tiago Baptista, seu editor e autor das respectivas bandas desenhadas - por conseguinte um faneditor, visto que se subdivide em ambas as tarefas -, apesar de muito jovem, tem visto muitos filmes, não sei se apenas por obrigação, mas neste caso dos que trata neste seu zine, foi exactamente por isso, porque trabalhou num cinema dum centro comercial das Caldas da Rainha.(*)

Em resultado dessa experiência, meio laboral, meio cultural, Tiago aproveitou para realizar quatro bandas desenhadas, cada uma delas dedicada a um filme e, de certa maneira, a um realizador - François Truffaut, Manoel de Oliveira, Andrei Tarkovski e Ingmar Bergman.


(*) Como diz Tiago Baptista no editorial: "(...) Um trabalho tão digno como qualquer outro, tão normal como qualquer outro, tão mal pago como qualquer outro, com um patrão tão sacana como qualquer outro(...)"



Cleópatra #5 
Subtítulo: "Oh meu Deus! É o fim do Cinema"
Data da edição: Dezembro 2010
Editor: Tiago Baptista
Formato do fanzine: A4 
Capa e contracapa, e miolo de 28 páginas 
Local da edição: [Caldas da Rainha], [Lisboa], Leiria
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Na primeira imagem que ilustra esta postagem está a capa do fanzine, onde se podem distinguir os rostos de quatro realizadores cinematográficos:

Andrei Tarkovski, Manoel de Oliveira, François Truffaut e Ingmar Bergman

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Escreve o faneditor, com ironia e bom-humor na contracapa: "O fanzine com o nome mais parolo - Oh meu deus! é o fim dos fanzines".

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Viriato - Um fanzine monográfico












Um caso especial, este. Trata-se da recuperação de uma banda desenhada, com o título Viriato, que teve a sua primeira publicação nos anos cinquenta do século passado, na revista Cavaleiro Andante (do nº27 ao nº60, entre 1952 e 1953).

A dita recuperação foi feita num único volume - um fanzine tipo fanálbum, ou mini-álbum, cujo título tem de ser o da obra publicada - em edição do Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav). 

Ora sendo o Gicav um grupo de índole cultural sem finalidades lucrativas, e esta edição não ser destinada a venda mas sim a ofertas (escolas, associações, bibliotecas), insere-se a publicação claramente na definição de fanzine/fanálbum (*).

Ficha técnica
Título: Viriato
Autor: José Garcês
Edição: Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav)
Paginação e tratamento de imagens: Carlos Rico
Impressão: Edengráfico S.A. (Viseu)
Tiragem: 500 exemplares
Agosto de 2015

(*) Fanálbum por se tratar de uma peça única, sem continuidade, portanto um álbum. Pode dizer-se que é editado por um fã, neste caso um fã colectivo de índole cultural. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fanzineteca de Badajoz







Catálogo


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En estos momentos estamos procediendo a catalogar los fanzines recientemente adquiridos por la biblioteca. Debido a la naturaleza de los mismos, los usuarios podrán consultarlos pero no sacarlos en préstamo (muchos son ejemplares únicos, raros, de pocas páginas o muy frágiles). De todas maneras, la amplia mayoría pueden leerse en unos pocos minutos. Estamos encontrando muchas dificultades en su catalogación precisamente debido a su naturaleza marginal, de autoedición o carácter underground: la gran mayoría de ellos son editados por los propios autores y no cuenta con una editorial que las publique y, por ende, desconocemos el lugar de edición y el año en que se realizaron.
También incorporaremos los fanzines ya existentes en el fondo general de préstamo de nuestra biblioteca. Muchos de ellos sí son prestables, ya que son lecturas mucho más dilatadas y sus ejemplares son más fáciles de reponer y/o conseguir.
Marcos González Pizarro. Técnico Bibliotecario. BPE Bartolomé J. Gallardo
marcos.gonzalez@gobex.es

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Mientras los técnicos de la Biblioteca terminan el proceso de catalogación, en esta sección, Nuestro Fondo, mostraremos algunos de los fanzines que van a formar parte de nuestra coleción. Aperecerán en orden alfabético. A una pequeña fotografía de sus portadas hemos añadido algunos datos básicos cono son sus autores, editores, lugar y fecha de edición, así como su temática y una dirección web, en caso de existir, donde puedas obtener más información.





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(*) Há casos em que chamam "fanzinotecas" em vez de fanzinetecas. Seria o mesmo que escrever "cinemotecas" em vez de cinematecas.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Livros sobre fanzines, os meus (II) - Comic Fanzine Price Guide
















Como acontece nas mais diversas áreas com quaisquer peças coleccionáveis, as da BD - revistas, álbuns e fanzines - os exemplares mais antigos ou os mais raros atingem valores elevadíssimos.

Mas é exactamente aí, nesse pormenor, que surgem as dúvidas, tanto aos coleccionadores como aos proprietários dos exemplares em relação aos valores dificilmente calculáveis, em especial aos dos fanzines de banda desenhada, publicações inseridas num quadrante alternativo menos visível.

Terá sido essa preocupação de Robin Dale que o levou a elaborar um guia de preços destes magazines amadores, embora restringidos aos editados nos Estados Unidos da América.

Assim surgiu, em 2011, este Guia de Preços de Fanzines de Banda Desenhada, (tradução livre por este blogger) cujos editores afirmam, na contracapa: "is the first and only compreehensive price and information guide for comics fanzines (...)"

Trata-se, inequivocamente, de uma obra utilíssima, que terá implicado alguns anos de pesquisas.

Ficha Técnica
Dale's Comic Fanzine Price Guide
1ª edição - 2011
Dimensões: 15x23cm
176 páginas
Editor: Amdale Media LLC
Cincinnati, OH 45212
Impresso nos Estados Unidos da América
Capa brochada

terça-feira, 10 de maio de 2016

Classe Média





Logo pelo jogo malandro da sobreposição das imagens - com recurso a uma estratégica folha de acetato que se levanta para deixar ver o exibicionista - se percebe o género do fanzine Classe Média.

"Absinto" (curioso pseudónimo), fez furor com apenas dois números editados deste zine de BD. Para mais, o conteúdo é praticamente todo do editor/autor (exceptuando curta colaboração de Pedro Brito). Vejam-se os títulos de algumas das bedês assinadas por Absinto: "Ratos de Laboratório com Eugénio Cucafudida (sic)", "História de Merda", "Lagartichamento", "Bixânus". O avacalhamento e originalidade pode começar logo pelos títulos, como se vê. E acabar na última página, onde se apresentavam capas de alguns fanzines editados à época, sob a frase: FANZINES: uma pequena minoria mas que faz um barulho do CARALHO (exactamente com estes destaques, ora bem).

Absinto (sei o nome real mas não digo), um jovem autor que mudou para outras vidas mais compensadoras, economicamente falando, faz muita falta à banda desenhada alternativa, logo, aos fanzines.

Marcos Farrajota colaborou neste segundo número com um texto crítico intitulado "Tretas". Dizia ele: "Daqui a uns dias? meses? sairá no Comtrastes (*) nº2 um texto meu, em que digo mal (para variar) dos fanzines. Dos poucos que não digo mal, foi este aqui que você, inteligente leitor, está a ler. Este fanzine sim, faz um barulho do caralho, e não todos os outros que o Absinto decidiu homenagear na contra-K."

Nota: Os ditos cujos com capas reproduzidas na contra-K eram, entre outros: Banda (do Rui Brito, Jorge Deodato e um ou outro cinzento que nunca ninguém conheceu)), GASP (do Diniz Conefrey), Controlo Remoto (do José Carlos Fernandes),, Art Nove (do Miguel Jorge), Almada BD fanzine (do Grupo Bedéfilo Sobredense, liderado por Luiz Beira), O Uivo da Selva (do Nuno Nisa), Azul BD Três (da dupla Rui Brito e Jorge Deodato e de mais um anónimo cinzento), Dossier Top Secret (do Vítor Borges), Mesinha de Cabeceira (do próprio autor da crítica, ah ganda Marcos!), Boletim CPBD (desta vez dirigido pelo muito jovem João Fazenda), Shock (do Estrompa, nem este escapou à razia do Marcos F.) e outros.

(*) Sim, com... trastes

Classe Média nº2
Formato A4
Data da edição: Novembro de 1994 (*)

Editor: Absinto 

 (*) Amostragem de edições antigas da minha colecção