sábado, 5 de novembro de 2016

V Matos Infesta/2016



É em Ovar que o nicho alternativo vai bulir em 5 de Novembro. E, claro, haverá exposições, designadamente dos criativos António Caramelo, Mariana Oliveira, Michela Balloi, e estarão presentes editoras independentes, Oficina Arara e Chili Com Carne, e os editores amadores Xavier Almeida e Dr. Urânio. Destes dois últimos espera-se que haja novos fanzines.

Será redundante escrever - está bem legível no cartaz reproduzido no topo do post - que haverá música fornecida por três DJ's, e também não faltará um lauto jantar!

Veja-se o programa em pormenor:

Concertos: 
- Vive Les Cônes, 22:00
- Folclore Impressionista, 21:00
- Trio Sinistro, 20:00
- Make A Revolution Sound, 19:00
Bancas / Edições: 
- Oficina Arara
- Chili Com Carne
- Xavier Almeida
- DR. Urânio
- Favela Discos
Exposições:
- António Caramelo
- Mariana Oliveira
- Michela Balloi
DJ's:
- Xico da Ladra, 23:00
- Joana Cê, 00:00
- Boombox Man (c/ Sílvio Berluscona), 18:00

 

O local do evento chama-se:
Irmãos Unidos
Rua Gomes Freire, 380
Ovar

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Comicguia - Fanzine espanhol

                                Capa do fanzine Comicguia

                                           Contracapa



Prancha da bd "Where does Nell go from here?", da série "Nell Nobody", de Pedro Martínez, em edição da inglesa IPC Fleetway


Páginas centrais, a divulgar outras publicações do género mas também duas enciclopédias, uma de BD e outra de cartunes.


Uma prancha da autoria do categorizado autor espanhol Gago (Manuel Gago)


Um caso invulgar de longevidade, o do fanzine espanhol Comicguia- Cuaderno de la Historieta e Afines, que se apresenta sob o slogan "La revista más pobre del mundo, pero la más rica en amigos."

Acaba de ser editado, em Valencia, o nº94 - Outono de 2016, deste fanzine em forma de revista, no pequeno formato A5, que indica na capa Año 39, mas que está já a cumprir 40 anos de edição ininterrupta, o que demonstra uma constância merecedora de encómios do seu editor Francisco Tadeo Juan.

O facto de se intitular revista apenas se aceita pela forma externa, na realidade o conceito é o de fanzine, visto que os seus colaboradores participam na base de pro bono, ou, assim se lê na ficha técnica, são "colaboradores honorários", e auto-considera-se como "Publicación cultural sin ánimo de lucro." 
Um pormenor sintomático: as páginas estão numeradas manualmente (como se poderia admitir isso numa revista propriamente dita, isto é, numa publicação comercial/profissional?).

A certa altura do editorial, escreve F.T.J. (sigla que o editor usa): "(...) y asi van passando los años, en estos 40 últimos, que cumple esta su revistilla Comicguia, han pasado toneladas de Historietas com personajes, "obras de arte" (Capolavori, como decia el llorado amigo y mejor editor de Historietas que yo he conocido, al igual que escritor y guionista, Sergio Bonelli (...)"

O conteúdo deste longevo fanzine alterna textos de estudo ou biografias (como, por exemplo, a de Pedro Martinez, que ilustrou a capa do zine, e desenhou a prancha que ilustra o topo do presente post) com partes de bandas desenhadas, tendo até duas páginas (as centrais) dedicadas à divulgação de revistas comerciais (Comics Revue e International Journal of Comic Art) e também de fanzines, como acontece com a referência ao Boletim do CPBD (fanzine do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD, com idêntica longevidade, trinta e nove anos quase quarenta, visto que iniciado em Março de 1977).

Curiosamente, as bandas desenhadas que se incluem no miolo, "El Niño Gonzalo" e "Laredo Ranger do Texas" são ambas em estilo de entregas parcelares, surgindo no rodapé a frase "(Continuará en el próximo número).

Algumas comentários citados pelo editor:

"Para conocer la historia de los tebeos españoles hay que leer Comicguia." (Antonio Lara)

"Francisco Tadeo Juan is one of the most noted scholars in the field of Spanish cartoons and comics." (Maurice Horn)

Ficha técnica
Comicguia - Cuadernos de la Historieta y Afines Culturales 
Formato A5 (14,8x21cm)
Nº de páginas: 36
Nº94 - Otoño 2016 - Año 39
ISSN 1133-6226
ISBN 84-605-5735-9
Depósito legal: V-2899-1989
Editado e realizado por 
Francisco Tadeo Juan
c/ Editor Manuel Aguilar, 17-7a.
46001 Valencia (España)
Publicación cultural sin ânimo de lucro  

Nota de rodapé:
O agradecimento do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD ao estudioso e faneditor Francisco Tadeo Juan pela inclusão nas páginas centrais do título do Boletim do CPBD, com a honraria de estar ao lado da revista Comics Revue (passe o pleonasmo).   

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Juvebêdê nº 64 - Julho 2016






Sempre com bom aspecto gráfico, aí está o nº64 do Juvebêdê, com data de Julho de 2016, mas finalizado e distribuído (gratuitamente) em Setembro.

Editado em Lisboa desde Abril de 1997 pela Associação Juvemedia (eu escreveria Juvemédia) - uma colectividade sem fins lucrativos - o Juvebêdê mantém-se em publicação quase há vinte anos, inicialmente sob a batuta de um trio - Carlos Fernando Cunha, Alexandra Sousa e Miguel Coelho - sendo apenas os dois primeiros, por acaso um casal, quem trata agora da edição.

O Juvebêdê - sem periodicidade, sem fins lucrativos, sem pagar aos colaboradores, com distribuição gratuita - eis quatro pormenores que fazem com que se inclua no conceito de fanzine (embora, como na maioria das vezes, em forma de revista), o que não tem qualquer sentido minimizante, apenas se integra num tipo de publicação independente diferente das revistas comerciais/profissionais, publicadas por editoras formais que têm finalidades lucrativas.

Aliás, graças à excelente qualidade com que se apresenta, editado em papel de boa gramagem e impresso em quadricromia, e naturalmente pelo interesse dos seus conteúdos, obteve o prémio de "Melhor Fanzine" em 1998 atribuído pelo júri do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

O presente número põe logo em destaque na capa dois assuntos: a edição em álbum da obra em BD "Os Doze de Inglaterra", de Eduardo Teixeira Coelho, um conto gráfico editado inicialmente na revista "O Mosquito", e a VII Ilustrarte 2016 (realizada entre 22 de Janeiro e 17 de Abril, um certo desfasamento admissível num fanzine...), uma reportagem fotográfica, no Centro Nacional de Cultura, da apresentação do álbum "Os Doze de Inglaterra", com a presença de Guilherme de Oliveira Martins, José Ruy e o editor Guilherme Valente, da Gradiva, editora daquela notável obra de banda desenhada.

Merece destaque a rubrica "JuveBD Breves", onde se faz a resenha, em seis páginas, das novidades editoriais da BD, e em que se registam notícias diversas visando essecialmente a banda desenhada

também uma interessante rubrica nova, "JuveBD da Estante", em que se recordam álbuns editados em tempos anteriores. Neste início, podem ler-se notas críticas a várias obras, nomeadamente "Anna na Selva", de Hugo Pratt, edição da Meribérica/Liber (editora entretanto desaparecida); "O Lama Branco - O Primeiro Passo" - Tomo 1, de Jodorowsky e Bess, Edições ASA; "Bouncer - Um Diamante para o Além", de Jodorowsky e Boucq - Tomo 1, Edições ASA; "Western", de Jean Van Hamme e Rosinsky - Edições ASA; "Isaac o Pirata" - Tomo 2, "Os Gelos", de Christophe Blain, Edições Polvo. 
Só é pena que não sejam indicados os anos de edição de cada álbum. 

Ficha Técnica
Propriedade e edição: Associação Juvemedia
Rua da Fé, nº29 -1150-149 Lisboa -  Portugal
Telefone 00351 213542711 
Correio electrónico: info@juvemedia.pt
Sítio: www.juvemedia.pt
Blogue: http://juvebede.blogspot.pt
FB: https://www.facebook.com/juvebede  
Director e Coordenador Editorial: Carlos Fernando Cunha (ccunha@iol.pt)
Redacção: Alexandra Sousa (xana.sousa@iol.pt) e Carlos Fernando Cunha
Ilustrações: Tiago Marques e Ricardo Ferrand
Design: Go.Create - Marketing, Comunicação e Eventos SA
Execução Gráfica: Câmara Municipal de Lisboa - Imprensa Municipal
Colaboração: Bizâncio, Gradiva e Ilustrarte
Tiragem: 250 exemplares
Distribuição (Gratuita): Associação Juvemedia
Apoios: Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa e Marmedsa Agência Marítima (Portugal)
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Juvebêdê, Vinte Anos de Edição Fanzinística

Passaram-se quatro décadas e meia após o aparecimento do primeiro fanzine em Portugal editado em Janeiro de 1972 por alunos do Liceu Gil Vicente, em Lisboa. 
Nesse Ano I dos zines portugueses fizeram história oito títulos: Argon, o iniciador do nosso fanzinato, por edição de alunos do Liceu Gil Vicente, seguido por Saga, Quadrinhos, Copra, P.Druillet/P.Caza, Orion, Ploc e Yellow Kid, todos eles, coincidentemente, dedicados à banda desenhada. Embora nos Estados Unidos da América, berço deste tipo de publicações não comerciais, o primeiro tema tivesse sido, em 1930, a ficção científica, e só em 1936 tivesse sido editado um zine composto por comics. 
Em Portugal, após o ano pioneiro de 1972, a edição fanzinística embalou, e continuaram a surgir muitos títulos, editados por jovens potenciais autores, individualmente ou em grupo, mas também por adultos interessados em publicar estudos acerca da história da figuração narrativa e seus iniciadores, bem como por entidades culturais, eventualmente oficiais, em apoio a propostas editorias de novos da BD. 
Apareceram assim fanzines dedicados a temas vários - música pop, ilustração, poesia -, mas é indubitável que tem cabido à BD a preponderância: alguns dos zines apenas incluindo bandas desenhadas, por isso os classificados «de BD»; outros, com textos de teor diferente, mas contendo uma ou duas bandas desenhadas, são os «com BD»; e ainda uns preenchidos por estudos, biografias, entrevistas e notícias essencialmente de teor bedéfilo, constituem os fanzines «sobre BD». 
A integrar esta terceira modalidade surgiria, em Abril de 1997, o Juvebêdê, editado em Lisboa pela Associação Juvemedia, que distribui gratuitamente os actuais duzentos e cinquenta exemplares impressos aos sócios e a quem o solicitar - todavia a tiragem chegou, no início, aos mil exemplares, o que não sendo caso único, é muito invulgar -, cuja periodicidade é indicada na ficha técnica como trimestral, mas não rigorosamente cumprida, pormenor habitual nos fanzines.
Dirigido e coordenado inicialmente, até ao nº6 (Maio de 1998) por Miguel Coelho, estava a redacção e a parte fotográfica a cargo de Alexandra Sousa e Carlos Fernando Cunha. A partir do nº7 (Julho de 1998) passou a coordenação editorial para as mãos de Carlos Cunha, continuando Miguel Coelho na direcção. A partir do nº20 (Abril de 2001) foi a vez de ser Carlos Fernando Cunha director e coordenador, ficando Miguel Coelho na redacção. Alexandra Sousa mantém-se desde o início na redacção e agora também a coordenar o blogue (http://juvebede.blogspot.pt) iniciado a 1 de Abril de 2013.
Inserido no conceito de fanzine devido ao conjunto de características que remetem para a própria entidade editora, de âmbito cultural sem fins lucrativos, exclusivamente com colaboradores em sistema pro bono. Apresenta-se o Juvebêdê em formato de revista, num papel de boa gramagem, impresso em offset e quadricromia, pormenores visuais que, juntamente com o interesse dos seus conteúdos, lhe valeram a distinção de Melhor Fanzine (relativamente aos números editados entre Setembro de 1997 e Agosto de 1998) atribuído pelo Festival Internacional de Banda Desenhada - Amadora BD/98.
O que significou o reconhecimento público do excelente nível qualitativo do zine, em cujas páginas se incluem entrevistas com autores nacionais e estrangeiros, desenhos autografados pelos mesmos, apresentação de novidades editoriais, reportagens fotográficas de eventos dedicados à BD e, embora esporadicamente, bandas desenhadas curtas ou séries em tiras.
Indubitavelmente, o zine Juvebêdê tem lugar marcante no fanzinato português, tanto pela qualidade como pelos vinte anos de publicação ininterrupta, atingidos por este nº68, edição especial, comemorativa do aniversário.

Geraldes Lino 

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Os interessados em ver posts anteriores dedicados a este zine, podem fazê-lo clicando na etiqueta Juvebêdê incluída no rodapé