segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

1º Salão do Fanzine de Banda Desenhada - Lisboa 87




1º Salão do Fanzine de Banda Desenhada - Lisboa 87 foi um evento realizado na FIL, o precursor de salões e/ou feiras do género em Portugal, um título nostálgico para este bloguista. 

Sendo eu, desde há dezenas de anos, grande entusiasta dos fanzines, foi em representação do Clube Português de Banda Desenhada-CPBD que organizei este evento, com direito a divulgação no inesquecível suplemento jornalístico DN Jovem,  duas páginas semanais do jornal Diário de Notícias, neste caso com data de 28 de Abril de 1987. 

A notícia foi publicada na estreia da rubrica Bêdêene, assinada por Pedro Cabrito que, enquanto autor de BD passaria a assinar como Burgos, depois Pedro Burgos. 

Pedro Burgos continuou a fazer BD, eu continuei a organizar Feira de Fanzines (várias na Estufa Fria, por exemplo).  
Tenciono voltar a fazê-lo, pelo menos mais uma vez, agora na Amadora, na ampla sede/galeria do Clube Português de Banda Desenhada.

Também continuei a coleccionar fanzines e a editá-los. Fanzinista uma vez, fanzinista para sempre.  

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Feira Morta - Mais uma ressurreição


A Feira Morta vai ressuscitando periodicamente, e isso é bom.

É muito bom mesmo, porque dá oportunidade a mais um fim-de-semana dedicado à meritória e indispensável edição de autor.

Aliás, os organizadores do evento - de que o mais saliente se apresenta pelo pseudónimo de "Sar" - têm bons apoios, e é num deles, a ACM-Associação Cultura no Muro, que se vai realizar mais uma edição da Feira Morta (agora Feira Morta 2K16 A.D.) que está bem viva e recomenda-se.

Para a divulgação do programa, reproduzo o texto que me foi enviado pelo jovem amigo Sar. Ei-lo:

Como sempre, estarão presentes artistas e editores, autores de fanzines, de revistas, comics, cadernos, de ilustrações, cassetes, vinyl, discos e de outros objectos de cariz artístico-bizarro, para falar dos seus trabalhos e apresentar as edições mais recentes do djet da edição independente.
 Os DeathGigs, concertos de música exploratória e de ponta. Numa edição que se quer preenchida são seis os projectos que sobem ao palco da SMUP, a ver: as sombrias paisagens sonoras de Far Warmth; Marta Sales acompanhada de Elisa Pône e Rodrigo Dias num espectáculo trans-disciplinar que alia som e live animation; as viagens celestiais de Jejuno; o imprevisível dinamismo dos dinamarqueses brynje 1og2; e ainda Verme e Bleandant, dois nomes notáveis do colectivo-label a Besta.

Workshops para todas as idades: Para os mais pequenos, no Sábado há a Oficina das "Pequenas Criaturas” e no Domingo faz-se um livro de BD de raiz no workshop “Da Ideia ao Livro”.

Nos dois dias Rafael Dionísio ministra o “workshot de escrita criativa “Experiências e Ficções"  direccionado a todos os que tenham a faculdade da escrita.
 A video-arte estará em emissão interrupta no DeathScreening, garantindo a maturação das pupilas e uma dose saudável de lavagem cerebral.

 Num universo que se crê, cada vez mais, relativo, incerto e provavelmente multi-dimensional, a Feira Morta permanece um espaço/tempo em que a edição de autor e as práticas DIY são o cerne de um todo maior que a soma das partes. Nesse sentido, convida todos os entes a integrar esta festividade e a experienciar directamente a maravilhosa realidade da auto-edição.

"Que ele viva, seja próspero e saudável"

FEIRA MORTA 2K16

ACM - Associação Cultura No Muro
SMUP
Rua Marquês de Pombal 319, 2775 - 265 Parede
Lisboa, Portugal
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Nota: A imagem que ilustra o post é a do cartaz do evento, sendo a autoria de "Irmãos Brothers". 
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Os interessados em ver posts anteriores relacionados à "Feira Morta" e afins, poderão fazê-lo clicando no link indicado no rodapé

domingo, 17 de janeiro de 2016

Fanzine em 3D -1º do género em Portugal










Com a publicação de uma banda desenhada em 3D, ocorreu em Julho de 2005 um momento histórico do fanzinato português: no Tertúlia BDzine, (nº92 - Especial) fanzine editado na Tertúlia BD de Lisboa, pôde ver-se, com a ajuda de óculos especiais ("lentes" de duas cores, fornecidos com o fanzine aos participantes naquela tertúlia lisboeta) uma banda desenhada em 3D, a primeira realizada por autores portugueses: Gastão Travado e João Mascarenhas, os desenhadores, e Cris Lou, argumentista.

Tão relevante edição foi provocada pelo facto de a Tertúlia BD de Lisboa festejar nessa data os seus vinte anos de encontros ininterruptos, acontecimento inesquecível para o fundador dessa associação informal e registado calorosamente pelas dezenas de participantes presentes nesse festejo de aniversário, realizado dessa vez num barco-restaurante ancorado no rio Tejo. 

Tertúlia BDzine nº92 - Especial (em 3D)
Julho de 2005
    
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

BD nos fanzines - Lesbianismo, Super-Heroínas e Super-Vilãs


Poucos são os autores portugueses  de BD que tenham ousado criar bandas desenhadas com enfoque no lesbianismo.

Nem que fosse apenas por esse atrevimento, a banda desenhada "Highlights of Heaven" já mereceria consideração. 

Mas, para além disso, a qualidade invulgar dos desenhos, em que sobressai o domínio das formas do corpo feminino e a beleza dos rostos, faz elevar o nível de apreço pelo seu autor, que assina simplesmente Zé Francisco, um desenhador/autor de BD praticamente desconhecido do grande público, e até mesmo de muitos entusiastas conhecedores de BD.

Claro que nesta crítica cabe igualmente um elogio ao argumentista/guionista Véte (aliás, também desenhador), cuja mente congeminou esta trama simples e com laivos de humor, bem detectáveis desde logo pelas sugestivas alcunhas com que se apresentam as personagens,"velhacona" a super-vilã, "boazona" a super-heroína.

A publicação da inusitada peça deu-se no Tertúlia BDzine, um fanzine iniciado na Tertúlia BD de Lisboa em Janeiro de 1992, já com a presença editorial mais numerosa do fanzinato português, visto que atingiu o nº183 em Outubro do corrente ano de 2015. 

Ficha técnica
Tertúlia BDzine
Nº102 - Abril 2006
Formato A4 - Miolo: 4 páginas a preto-e-branco
Tiragem: 500 exemplares (editados em "tranches" de 50)
Distribuição gratuita na Tertúlia BD de Lisboa
Editor: Geraldes Lino
Apartado 50273
1707-001 Lisboa    

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Dia Em Que... Comic Jam - Volume I


























No Dia Em Que...

... um ocasional participante no encontro de Agosto de 2008 da TBDL - Tertúlia BD de Lisboa, Mário Teixeira, antigo emigrante em Toronto, Canadá, propôs que se fizesse uma coisa a que ele chamou comic jam, ou seja, uma banda desenhada improvisada por vários ilustradores/autores de BD, cada um a desenhar uma vinheta, e que ele próprio iniciou.

Achei curiosa a ideia, que era, afinal, a velha brincadeira gráfica intitulada cadavre exquis criada pelos surrealistas franceses.  A expressão francófona, já livremente adaptada à língua portuguesa por "cadáver esquisito" tornara-se bem conhecida, enquanto que aquela diferente versão anglófona era uma novidade para mim.

Enquanto organizador da associação informal TBDL, decidi que, a partir daí, continuar-se-ia a fazer mensalmente um comic jam, mantendo-se a expressão inglesa, bem como o título "No dia em que..." com que Mário Teixeira (amigo do homenageado do mês, Zé Oliveira) o tinha baptizado, e igualmente o esquema dessa primeira banda desenhada feita de improviso numa folha A4 em seis vinhetas com a colaboração de seis desenhadores.

Apenas com a regra, a cumprir daí em diante, de que o autor da primeira vinheta seria sempre o Convidado Especial ou o Homenageado desta tertúlia lisboeta.

Assim se tem feito sempre.

Tendo a TBDL sido criada em Junho de 1985, atingindo portanto o 30º aniversário em Junho de 2015, surgiu a ideia de se comemorar a efeméride editando um fanzine com todos os comic jam realizados entre Agosto de 2008 e o mês do aniversário, inclusive.

Assim se fez.

Geraldes Lino 

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Ficha técnica

O DIA EM QUE... Comic Jam - Volume #1
Edição comemorativa dos 30 anos da
TERTÚLIA BD DE LISBOA

Improvisos em banda desenhada, através de vinhetas desenhadas por 161 autores, cada uma delas realizada mensalmente entre Agosto de 2008 e Junho de 2015
na Tertúlia BD de Lisboa 
Ilustração na capa da autoria de Nuno Duarte (o Outro Nuno)

Fanzine aperiódico
Tiragem: 50 exemplares
Formato A4
Parcialmente editado a cores, incluindo a capa e a contracapa
80 páginas
Preço: 10€
Data da edição: [Outubro 2015]
Editores: Álvaro / Geraldes Lino
    
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Reproduzem-se nesta postagem, além da capa e contracapa, apenas 16 comic jam.
Os nomes dos autores de cada comic jam (maioritariamente portugueses, mas também alguns estrangeiros) estão assinalados em rodapé. 
Para a sua identificação bastará aumentar o post, cuja técnica é já bem conhecida dos visitantes deste blogue.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Boletim do Clube Português de Banda Desenhada - Nº 139








Como já é sabido de quem conhece o fenómeno editorial amador, uma publicação classifica-se de fanzine quer seja editada por um editor amador, quer seja por uma associação cultural sem fins lucrativos.

É o que acontece com o Boletim do Clube Português de Banda Desenhada (ou Boletim do C.P.B.D., título também usado), que aquela colectividade amadora, dedicada em exclusivo à BD, edita aperiodicamente.

Com início em Março de 1977, este fanzine é o mais antigo em publicação, embora apenas destinado à distribuição gratuita pelos associados daquele clube.

De há uns anos - quase vinte - a esta parte, o CPBD tem tido uma existência residual, com apenas cinco ou seis carolas a reunirem-se quinzenalmente.

Mas três desses associados têm agarrado a tarefa de continuar a editar o Boletim. Esta iniciativa tem tido uma limitação: a impressão a cores torna a edição consideravelmente cara, pelo que a tiragem tem sido exígua, apenas destinada a uns tantos interessados que se registam para a sua aquisição.

Com a reanimação em curso do clube, é provável que se altere o actual esquema, editando o Boletim a preto-e-branco, de forma a poder ser distribuído gratuitamente por todos os associados, mantendo-se eventualmente uma tiragem limitada a cores (um assunto a decidir pela nova direcção), destinada a coleccionadores que se mostrem interessados em adquirir um fanzine por um preço relativamente elevado. 

O presente nº139, datado de Março de 2015, continua a ser dedicado a um herói de origem inglesa chamado Sexton Blake, que atingiu considerável popularidade em Portugal.

Ficha Técnica
Título: Boletim do Clube Português de Banda Desenhada
Edição: Clube Português de Banda Desenhada
Coordenação: Paulo Duarte e Fernando Cardoso
Arranjo gráfico: Paulo Duarte
Formato: A4
Impressão: cópia digital
Capa a cores
Miolo a preto e branco e a cores
Nº139 - Março 2015

sábado, 19 de setembro de 2015

Feira Morta VI - Auto-Edição Lisboeta, Fanzines, Concertos

sábado, setembro 19, 2015






Alguém lhe pôs o nome de Feira Morta, decerto para ser mais desconcertante o contraste com a realidade vívida e buliçosa do evento.

Aliás, o texto da divulgação faz ressaltar esse aspecto. Cito:

A Mega-Mini Morta tem tudo de uma morta normal, mas só num dia. É 1 dia com o valor de 2! Imperdível! Venham comprar fanzines e ficar a par das últimas do mundo da Auto-Edição Lisboeta.  Tragam fanzines de casa, para trocar! Vejam um concerto gratuito do Yan Gant Y Tan.  Oiçam as malhas que inspiraram o Gato Mariano e o Gréc durante o seu “Processo de Contágio”. Participem nos lançamentos e conversas; perguntem o que quiserem aos vossos editores independentes preferidos.
E quando tiverem fome ou sede, passem no bar e apanhem uma jola e uma chamuça vegan.
Na FEIRA MORTA vale tudo.


Para quem não ande a par deste tipo de eventos alternativos, fica a saber que estamos perante a 6ª edição da dita feira. 
Naquelas que visitei sempre me impressionou a animação editorial fanzinística, mas não só.
E não foge à regra a que vai decorrer no dia 20 do corrente mês de Setembro, um Domingo, nos Adamastor Studios.


De facto, o lançamento de fanzines, novos ou continuações, é sempre um motivo de interesse neste evento e nos congéneres.

É o caso do zine Violência Electrodoméstica #3, com a presença dos editautores Xavier Almeida e Pato Bravo.
E também o faneditor Gréc, com o seu novo zine Above Evolution, bem como a faneditora Hetamoe, que apresentará o seu fanzine Muji Life.

Radiation, Need More Love e The Scorcher são outros títulos presentes nesta feira Morta-Viva! 

Horário:
Abre às 2pm – it’s on!
Acaba às 8pm – it’s off…

3 pm – Zines for PSCHOTIC WOMEN
Sallim & Clube do Inferno
Apresentação e Conversa

4pm – Processo de Contágio DJ SET
5pm – Novas Publicações ( non Stop ) New Press
7pm – DEATHGIG : Yan-Gant Y-Tan

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Fígado da República, O






O Fígado da República é o título de um fanzine faneditado por José Smith Vargas, autor de BD nas horas vagas, com muito talento e invulgar cultura.

Este último factor fez com que se tivesse interessado por uma obra praticamente desconhecida de Raul Brandão, "Os Operários" (parte da tetralogia "A História Humilde do Povo Português"), e que tivesse seleccionado excertos que adaptou à linguagem gráfico-literária da banda desenhada.

Na Parte 1 do fanzine, Smith Vargas ilustrou parcialmente dois temas. 

O que ocupa as primeiras páginas do fanzine  intitula-se "O Operariado e os Governos Republicanos", cujas quatro pranchas ficam reproduzidas no topo da postagem, antecedidas pela capa do zine.

O segundo excerto, sem título e com interferência do fanzinista e banda-desenhista, compõe-se de seis pranchas, cuja acção decorre em Abril de 1918, em Fornalhas Velhas. A principal personagem António Gonçalves Correia, fundador de uma comuna no Alentejo, no extremo da freguesia do Vale de Santiago. Inicialmente, faziam parte da comuna quinze agregados, entre os quais cinco mulheres, que praticavam nudismo. "Tudo nuzinho em pêlo", como diz um aldeão que os observa.

Como se depreende, a existência desta comunidade causou celeuma, mas a sua acção prática e generosa acabou por captar o respeito por parte da população mais pobre, enquanto que os poderosos lhes movem guerra.

Ficha técnica
O Fígado da República
Excertos ilustrados de Os Operários, de Raul Brandão
Formato do fanzine: A4
Miolo: 12 páginas a preto e branco
Autor da adaptação literária e dos desenhos: José Smith Vargas
Editor: José Smith Vargas
Local: Não indicado
Data: S/d [2011] (Por informação do editor) 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Semana Intergaláctica del Fanzine - Córdoba, Argentina




umas dezenas de anos que comecei a ter a noção de que a Argentina era um país onde a banda desenhada tinha bastante importância. E embora Buenos Aires, sendo a capital, aparecia com maior relevo, também Córdoba surgia ligada a eventos de BD

Por mero acaso apercebi-me da realização da Semana Intergaláctica del Fanzine, que teve por espaço logístico a seguinte morada: 
"Bastón del Moro - Bv Chacabuco 483" e, lá está, Córdoba, Argentina.

Falavam das fanzinetecas e da cena fanzinística dos anos 90, os ateliês de desenho e outros, um tema interessante, como se pode depreender no texto que copiei do facebook, e que mostro aqui por baixo:

Ya pasaron las charlas de las fanzinetecas, la de la escena fanzinera de los 90s, el taller de dibujo y muchos otros talleres más. Así de a poco la semana intergaláctica va copando los días con actividades en torno al fanzine, impulsando el hazlo tu mismo y la cultura libre.
Aún quedan algunas cosas porvenir como el taller de fotofanzine mañana a las 15 hs, el taller de edición con software libre a las 18 hs, y el cierre de la muestra. Podrán visitar la exhibición hasta el miércoles de 14 a 22 hs.

Gracias a todos y
los esperamos.


Semana intergaláctica del fanzine
del 3 al 9 de Septiembre 2015
Córdoba - Argentina
https://www.facebook.com/Controlpee/

https://www.facebook.com/Controlpee/photos/a.1446103722357228.1073741825.1446100779024189/1483223415311925/?type=3&theater